
Por muitas vezes somos surpreendidos pelas crianças.
A surpreendida da vez fui eu.
A surpreendida da vez fui eu.
Parando por um instante, apenas para respirar mais profundamente durante uma de minhas aulas, cometi um despautério: retirei os óculos. Na hora nem entendi o espanto de um aluno, mas este, com todas as letras, me disse: "Você fica muito feia sem óculos".
Além de feia, fiquei sem ação.
No entanto era preciso que aquela criança me dissesse aquilo?
Sim!
Talvez aquilo já o incomodasse há tempos ou mesmo, estivesse interferindo em suas projeções cognitivas. Contudo, a mais beneficiada neste proceso fui eu.
Por vezes me encontro sem meu par de lentes surfaçadas e, ninguém que tenha passado da puerícia tivera a coragem de dizer que meus traços mais peculiares o incomodavam.
Assim, pude compreender a real condição do professor de crianças. Um privilegiado.
Dificilmente será enganado, ludibriado pelos pequenos. Estes possuem a incapacidade de serem omissos, tanto às qualidades quanto aos defeitos das pessoas.
Somos nós, adultos, quem os corrompe, ao passo que lhes ensinamos técnicas, procedimentos e estratégias de fingimento a fim de torná-los cada vez menos sinceros e francos.
Por isso, se algum dia estiver em dúvida entre qual roupa usar ou qual sapato comprar procure imediatamente seu filho ou sobrinho mais próximo, deixe a razão descansar um pouco e reaprenda a discernir com a emoção.
Foi assim que eu descobri, ao contrário do que eu imaginava, quão bela fico de óculos.

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